e nem era o Bukowski... filho da puta.
Foi a segunda vez.
Existem muitos velhinhos tarados circulando em ônibus pelo mundo ou eu quem tenho um ímã poderoso? Um pernambucano e um carioca, ambos os filhos da puta com encontro muito parecido, vou me conter, então, em contar o segundo.
Hoje, indo trabalhar, distraída, pensando na vida, olhando a paisagem carioca, os morros, as pessoas nas ruas, os letreiros luminosos, eis que me senta um velhinho, tão obeso quando o primeiro, de Recife, e... bem... ele é bem gordo, coitado, não tem culpa de ocupar o banco quase inteiro e...
Estranho. Tem bancos vazios lá pra trás.
Tudo bem, isso é porque ele sabe que o ônibus vai encher, já que agora estamos bem no começo do percurso, o ônibus acabou de sair do terminal em direção ao centro da cidade, melhor garantir lugar com uma pessoa menor, que ocupe menos espaço que ele, do que ter uma luta glútea com uma provável senhora dona de casa, suada e mal-encarada, carregada de sacolas de feira.
Sacola no colo, como o de Recife, e percebo que está próximo demais, e roçando demais o braço no meu peito mas... ele é gordo, não tem espaço. Mentira. O braço não está pousado e largado sobre a sacola, mas tenso, no ar, tentando achar o melhor ângulo, aquele que esteja mais próximo. Me mexi, re-arrumei, consegui afastar um pouco e, segundos depois, lá está ele, à mesma distância de mim: zero.
Me remexi inteira, fingi alergia, cocei a orelha, me contorci, ele pigarreou e mudou a posição do braço. Amém. mas... não.
Não podia ter acabado de um modo tão simples assim. Quando vejo, ele está com a mão, de palma pra baixo, encostada na sacola, esticando o dedinho mindinho e fazendo um movimento muito suave, descendo a mão pela lateral da mala, coincidentemente ao encontro da minha coxa...
— Com licença...
— Ah.. er.. ah.. cof cof.. é.. rr
Me levantei e fui sentar lá atrás, em um dos bancos vazios.
Agora fico pensando que devia ter feito um barraco, mas acho que só entendi depois que sentei sozinha. Tudo muito rápido, como da primeira vez, só que no Recife o ônibus estava cheio, e eu saltei no meio do meu caminho para esperar o próximo ônibus, e estava voltando do trabalho, não indo.
Que familiar... devia ter entendido logo...
bobinha
Só quero não pensar mais nisso... como da primeira vez.
Talvez eu tenha que pensar, para reconhecer rapidamente, no caso de uma terceira.
Ô mania de esquecer as coisas ruins...
Ôôô mania...
segunda-feira, 23 de março de 2009
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Um comentário:
ta cheio de tarados pelo mundo, moça...
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